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06 de Abril de 2012

Coral Sol invasor é registrado pela primeira vez no Brasil em recife de coral, na Baía de Todos os Santos

Coral Sol é encontrado pela primeira vez em recife de coral, na Baía de Todos os Santos Coral Sol é encontrado pela primeira vez em recife de coral, na Baía de Todos os Santos

Por Lucas Gaspari

De beleza ímpar e um colorido vistoso, uma espécie de coral se apresenta como uma nova ameaça biodiversidade marinha. Trata-se do Coral-Sol (Tubastrea tagusensis e Tubastrea coccinea), um organismo invasor oriundo do Oceano Pacífico, que ingressou no Brasil incrustado em cascos de navios e plataformas de petróleo. Sua primeira aparição foi na década de 80, na costa do Rio de Janeiro. Ele é conhecido pela sua agressividade com os outros corais. Agora, de forma inédita no país, foi flagrado, estabelecido nos recifes de coral. A descoberta foi na Baía de Todos os Santos (BTS), mais precisamente em uma Área de Proteção Ambiental (APA), na Ilha de Itaparica.

Os registros na Ilha de Itaparica foram realizados pela Organização Socioambientalista PRÓ-MAR, conjuntamente com pesquisadores baianos de outras instituições, que, desde então, tem realizado estudos sobre esta espécie invasora. “A PRÓ-MAR começou a monitorar os recifes de coral da llha de Itaparica em 2006 e atualmente tem ampliado os estudos para outros locais da BTS, além das ilhas de Tinharé e Boipeba, no baixo sul da Bahia. Em uma das nossas expedições, encontramos o coral-sol em um relevante recife da região, onde já é possível ver grande cobertura deste organismo em algumas 'pedras', dividindo espaço com importantes corais construtores dos recifes brasileiros, incluindo espécies endêmicas da Bahia”, declarou o biólogo Ricardo Miranda, fazendo referência às ações do Projeto Maré Global, da ONG, patrocinado pelo Instituto Otaviano Almeida Oliveira (IOAO).

"Diferente dos demais corais, ele não contribui na construção da estrutura recifal e não possui microalgas zooxanteladas em seus tecidos, ou seja, aquelas que auxiliam os corais na nutrição. Além disso, ele possui eficientes estratégias reprodutivas e altas taxas de crescimento, o que pode fazer deste organismo extremamente eficiente na competição por espaço", acrescentou.

Ainda de acordo com o biólogo, a espécie foi encontrada num ambiente de alta cobertura de coral e espécies nativas da Bahia, que contribuem para formar uma estrutura recifal ímpar, abrigando várias espécies de peixes e outras comercialmente importantes, como lagostas e polvos, colocando em risco a biodiversidade marinha. “Ao competir com os corais, organismos construtores, o coral-sol pode afetar a estrutura da comunidade recifal, alterando não só o funcionamento do recife, mas de ambientes aos quais as espécies recifais dependem, como os estuários e manguezais”, explicou e trouxe a informação de que os recifes da Bahia são os mais biodiversos do Atlântico Sul.

O Doutor em zoologia, professor adjunto do curso de Engenharia de Pesca da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Claudio Sampaio, pioneiro na descoberta deste organismo invasor na BTS, dá um alerta quanto ao manejo do coral quando encontrado. “Quando os mergulhadores avistarem este coral, não devem coletar nem quebrar as colônias, pois ao manipulá-lo incorretamente, pode-se estimular a desova deste organismo, contribuindo com a amplificação do problema. O correto é comunicar o mais rápido possível a PRÓ-MAR ou algum especialista da área”, explicou.

A identificação das áreas marinhas na BTS onde o coral invasor está presente ainda é pouco conhecida e é de extrema importância reconhecê-las o quanto antes, para que medidas de manejo sejam criadas, de modo  conter a invasão e reduzir os possíveis danos a biodiversidade marinha da região.

O registro do coral-sol nas águas da BTS, incluindo a presença deste organismo em recife de coral do Brasil, é inédito, e uma nota científica encontra-se em vias de publicação. Este trabalho é de autoria do Dr. Claudio Sampaio e dos Mestrandos em Ecologia pela Universidade Federal da Bahia e pesquisadores associados a PRÓ-MAR, Ricardo Miranda e José de Anchieta Nunes, além do graduando em Biologia, Rodrigo Maia Nogueira, da ONG BIOTA AQUÁTICA.

Conforme informações da Organização Internacional Marítima, uma espécie é considerada invasora quando causa danos ecológicos, econômicos ou para a saúde humana. Elas são consideradas uma das quatro maiores ameaças a biodiversidade marinha.

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